segunda-feira, 5 de novembro de 2012

CARTA À IGREJA EM EFESO - ESTUDO BIBLICO


Carta à Igreja em Éfeso
David S. Clark
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua
destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro: Conheço as
tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e
puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste
mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te
cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te,
pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não,
brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.
Tens, porém, isto: que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe ei
a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.

Vs. 1-7. Éfeso, uma vez um cenário importante do ministério de Paulo, tornou-se o lar de João, e ali a tradição localiza o seu sepulcro. Ele manda uma nota de recomendação dizendo-lhes que eles julgaram aqueles que diziam serem apóstolos e não eram, e achou-os mentirosos. Essa era evidentemente a mesma classe de judaizantes que se opuseram a Paulo, e se sim, isso é evidência da data mais remota do livro.3 Eles tiveram essa dificuldade e venceram, para louvor deles; mas “deixaste o teu primeiro amor”. Eles eram, em certa medida, apóstatas. Esse era o pecado deles. Esse é o pecado dessa era também; e Eféso tem sua similaridade com a nossa época assim como Laodicéia. E se eles eram apóstatas, não suportariam o julgamento que viria sobre eles; dessa forma, é dito: “Arrependete… quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal”.
Observe que aqui é uma vinda que não é a segunda vinda técnica; e todo julgamento é uma vinda.
O castiçal foi removido e a igreja de Éfeso pereceu. Não tenho registro de quão breve isso aconteceu, mas sabemos que por séculos aquela cidade uma vez orgulhosa permaneceu uma ruína. A apostasia se provará fatal para qualquer igreja.
Éfeso fala conosco. Uma igreja não pode cometer suicídio e ainda viver.
Ademais, há inúmeras agências à porta da igreja prontas para destruí-la quando ela escorrega da proteção do Deus que a sustenta.

Fonte: The Message From Patmos: A Postmillennial
Commentary on the Book of Revelation, p. 34-35.



APOCALIPSE 2 - ESTUDO BIBLICO

APOCALIPSE 2:1-7

“ÉFESO’’ significa “desejável’’. É a igreja que começou bem, mas havia perdido o que lhe deu o conceito de desejável - o amor. Uma igreja sem amor é uma igreja em decadência total (ICo 13).

A igreja de Éfeso foi muito bem estabelecida na doutrina apostólica. Paulo ensinou a Palavra de Deus ali, durante três anos (At 20.31). Todos os ensinos básicos lhe foram ministrados. “PORQUE JAMAIS DEIXEI DE VOS ANUNCIAR TODO O DESÍGNIO DE DEUS” (At 20.27). Pelo teor e conteúdo da Epístola de Paulo aos Efésios, observa-se que aquela igreja era espiritual. Mais saibamos que o juízo de Deus irá começar pela própria Casa de Deus (IPe 4.17). Por isso Éfeso foi uma das igrejas que foram advertida pelo Senhor. Ela foi a igreja que João pastoreava quando foi desterrado para a solitária Ilha de Patmos, segundo a tradição Cristã dos primeiros séculos.

O ANJO DA IGREJA

Quem era esse anjo da Igreja a quem o Senhor se referia? É claro que um anjo celestial não poderia ser, pois os tais foram proibidos de pregar o evangelho (IPe 1.12). Esse anjo, que era o Pastor da Igreja, pois a palavra “anjo” quer dizer “MENSAGEIRO” e é exatamente o que o Pastor é na sua função - um mensageiro.

Veja bem, os anjos não dizem o que eles querem, mas somente a Palavra de Deus, observe:

“...E que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, o qual atestou a Palavra de Deus” (Ap 1.1-2).

A função do Pastor é de instruir o povo na Palavra de Deus (I Tm 3; II Tm 2.15; Tt 1.6-9). O pastor não deve falar ou ensinar suas próprias filosofias, mas sim ser fiel ao ensinamento da Palavra de Deus. Fica claro que esse mensageiro(o pastor ou líder local) tem uma responsabilidade muito séria diante de Deus. Isso serve de alerta aos que lideram, mas não se esmeram em aprender a Palavra. Que Deus faça de nós (os Líderes) homens fiéis à Palavra como os anjos celestes são. É isso o que Deus quer nos falar aqui. É como se o nosso Deus dissesse: “Transmitam a minha Palavra com a fidelidade de um anjo”.

ESTAMOS NA MÃO DE DEUS
Antes de continuar, quero que você guarde em mente o gráfico abaixo, baseado em Ap. 1.20:


--------------------------------------------------------------------
ESTRELA = ANJOS = PASTORES

CANDELABRO = IGREJA = POVO DE DEUS
--------------------------------------------------------------------

Este gráfico nos ajudará entender melhor, tanto o tópico passado, como o presente.
“Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro”. (Ap 2.1)
Neste contexto as estrelas ou Anjos estão se referindo aos Pastores ou líderes, mas pode ser muito bem aproveitado para toda a Igreja, pois na Terra toda a Igreja está comissionada a ser mensageiro de Deus:
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura”. (Mc 16.15)
O Apóstolo Paulo também diz que somos estrelas, leiamos:
“mas é a glória do sol, outra a glória da lua e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela” (I Co 15.41).
“Pelo que também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar ” (Hb 11.12).

Quero que você saiba que também é uma estrela, e está na mão de Deus, e tem a responsabilidade de levar a Palavra de Deus aos corações aflitos, por isso preste atenção na Palavra:

“Aquele (JESUS) conserva na mão direita as estrelas”
(Ap 2.1).
É glorioso sabermos que estamos nas mãos do Senhor. É sinônimo de vitória e proteção. Há uma alegria imensa nesse constante afeto Divino por parte do Senhor. As lutas são grandes, mas a mão do Senhor é mais forte. Se estivéssemos sozinhos nessa luta perderíamos, mas nesse “braço de ferro” nós contamos com a mão do Senhor. Aleluia!!! Por outro lado, eu gostaria que você sentisse a responsabilidade de estar nas mãos do Senhor. Sim, responsabilidade, pois somos suas estrelas (que quer dizer mensageiros - veja o gráfico). Deus quer nos mostrar que devemos resplandecer o brilho da Estrela maior - Jesus. É como se o Senhor nos dissesse: “Mostre o brilho da minha mensagem”. A Igreja tem que ter luz nas suas palavras, tem que ter vida e poder. E para que esse fato aconteça na vida da Igreja, tem que haver uma profunda dedicação à Verdade de Deus. Cada membro da Igreja, desde o Pastor até o irmãozinho tem que se conscientizar da importância da Palavra de Deus e sua divulgação. Só assim, haverá brilho nas mensagens e a Igreja Brilhará como uma estrela.


DEUS CONHECE AS NOSSAS OBRAS
“Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança; sei que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos;”(AP 2.2)
Fique sabendo, Deus conhece o teu desempenho na sua obra, Deus vê o seu labor e sua dedicação para que a sua obra se concretize e o Seu Reino seja implantado. Saibamos que:

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”
(I Co 15.58).

Observe que a Palavra diz: “NO SENHOR”. Só no Senhor é que o nosso trabalho é válido. Deus olha para o trabalho e o labor daquele que faz para Ele. Digo isso, pois muitos realizam grandes obras dentro das Igrejas, mas não no Senhor e para o Senhor, mas sim para sua glória própria. Almejam o elogio do seu próximo e o enlevo do seu próprio nome. Veja o que diz Jesus:
»MATEUS [6]

“Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus”.
Trabalhe, meu irmão - ainda que ninguém lhe elogie ou mesmo que você seja criticado, TRABALHE. Deus, O Grande Galardoador está vendo o seu esforço e em oculto lhe dará a recompensa. A sua perseverança no trabalho do Senhor lhe será uma grande alegria no seu espírito. TRABALHE MEU IRMÃO!

DE OLHO NOS LÍDERES E PRUDÊNCIA NO JULGAR

“ sei que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos”(Ap 2.2)

Devemos observar os líderes, aproveitar tudo o que eles têm de bom, sabendo que são homens que também erram. Claro que quando falamos erram, não estamos falando de adultério, prostituição, engano, furto, mentiras... Nos dias atuais, infelizmente, vemos líderes que deveriam ser exemplos, fazendo tudo isso e muito mais. O que mais me espanta é que mesmo fazendo tudo isso eles ainda encontram gente que os seguem sem nem mesmo questionar a sua conduta. Dizem: “Este homem é de Deus, ele faz milagres e isso basta” ou “Ele foi escolhido por Deus para ser o nosso profeta e cremos cegamente nele”. E assim vemos esses obtusos usurpar o povo e devorar a fé dos mais humildes. Sabemos que infelizmente, isso acontece por falta de conhecimento da Palavra de Deus.

Leiamos:

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento”(Os 4.6).

Nesta carta à Igreja de Éfeso, Jesus elogia aqueles que colocaram a prova certos “apóstolos” que se diziam ser homens de Deus. Esta Igreja teve o discernimento de desvendar e despir os falsos obreiros.

Antes de continuar com esse pensamento quero que você tenha em mente a importância de ter embasamento na Palavra de Deus antes de Julgar alguém, principalmente um obreiro.

Leiamos: “Não aceites acusação contra um ancião (presbítero ou líder local), senão com duas ou três testemunhas (que sejam dignas de confiança)”.(I Tm 5.19 - parênteses do autor)

Não se esqueça de ser sábio no julgamento de algum líder que esteja fazendo coisas erradas e certifique-se que realmente não sejam boatos, mas provas concretas e que você possa provar. Sabendo que se você estiver errado poderá estar lutando contra Deus e a favor do Diabo, trazendo assim opróbrio sobre a sua vida.

Leiamos: “Porque a rebelião é como o pecado de adivinhação, e a obstinação é como a iniqüidade de idolatria”. (I Sm 15.23).

“Não toqueis nos meus ungidos, e não maltrateis os meus profetas”.(Sl 105.15)

“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus”.(Rm 13.1)

“Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”.(Hb 13.17)

Não é porque a Palavra de Deus manda respeitar, honrar, obedecer, ajudar, auxiliar e cooperar com os obreiros do Senhor, que vamos deixar os maus nos enganar. A Bíblia nos ensina a por em prova os tais (Ap 2.2). É glorioso essa revelação, pois essa Igreja agiu com discernimento, evitando assim escândalos no meio do povo. Se nós fossemos como os Efésios (nesta área)teríamos evitados tantos escândalos desnecessários. Por haver falta de discernimento, lobos ferozes e audaciosos devoram cidades inteiras e até ultrapassam fronteiras desonrando o nome do Senhor Jesus. Devemos saber que é a IGREJA (eu e você) que tem que evitar esses “cães” de vomitar sobre nós as suas heresias. Nesses últimos dias, eu te convido a ser mais prudente e não aceitar nada de ninguém se não for claramente bíblico. Nem que apareça um apóstolo mais poderoso que Paulo e fazendo mais prodígios que o Senhor Jesus, se ele não está de acordo com a Palavra, seja anátema (maldito).

Acredito que nesses últimos dias levantar-se-á uma Igreja estribada, não em homens, mas na Palavra de Deus. Quando esses amantes da Palavra se levantar os falsos “apóstolos ou profetas” terão dificuldades em difundir as suas heresias, pois a unção do Espírito e o conhecimento da Palavra trarão luz.
“E quanto a vós, a unção que dele recebestes fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como vos ensinou ela, assim nele permanecei”.(I Jo 2.27)

O PRIMEIRO AMOR ACABOU?
“Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres”. (Ap 2.4-5)

Já ouvimos muito essas frases: “Esse irmão está no fogo do primeiro amor!” ou “Isso é coisa de quem está no primeiro amor”. O que será que estamos pensando sobre primeiro amor? Será que sabemos o que é esse primeiro amor? Pelo texto lido acima vemos que quem não está nesse primeiro amor está caído, sua vida cristã está fora dos parâmetros de Deus.

Leiamos - Lv 6.12: “O fogo sobre o altar se conservará aceso; não se apagará.”

Aquele fogo do primeiro amor, do primeiro encontro com Deus tem que durar a vida inteira, é fogo e mais fogo: “O fogo se conservará continuamente aceso sobre o altar; não se apagará”. (Lv 6.13)

Talvez você tenha visto tanta coisa que o desagradou; que machucou o seu íntimo, que feriu os teus princípios, que fez murchar as tuas esperanças no Reino de Deus. E agora? Vai ficar assim? Deixando tudo para lá? Meu querido saiba que apesar de tudo o Deus que é Fogo quer de dar a vitória na luta. Não importa quantos Judas o Diabo colocou na sua vida, Jesus nunca lhe traiu e nem lhe abandonou. Hoje Deus quer renovar-te e trazer a paz e alegria da sua salvação. Levante-se nesse momento e receba o poder, o fogo, o amor, a virtude do Espírito Santo e seja abençoado. Receba o amor do céu, acenda-se agora e nunca mais deixe o inimigo apagá-lo com tolices e artimanhas malignas. Deus nesses últimos dias quer que sejamos cheios de amor, até para amarmos os piores inimigos. Sejamos cheios de fogo até a volta do Senhor Jesus.

“Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11).

OS NICOLAÍTAS

“Tens, porém, isto, que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço.”(Ap 2.6)

Nicolaíta em grego é composto de duas palavras: “Nikao” que significa “Conquistar” e “Laos” que significa “Povo Comum”. Então Nicolaítas vem a ser: “Aquele que conquista ou domina o povo comum ou leigo”. A conduta de elevar-se sobre e acima dos crentes comuns como uma classe mediadora é o que o Senhor detesta; é algo ser repugnado. No Velho Testamento havia os sacerdotes (judaicos) os quais eram estabelecidos para intercederem pelo povo e representá-los diante de Deus, mas isso não agradava o Senhor. Deus não queria só alguns na Sua presença e sim todos (Ex 19.6; Ap 1.6; Hb 10.19-22). No Novo Testamento, com a morte do Senhor na cruz, fez-se um Reino de Sacerdotes para reinar em perfeito sincronismo com Deus. Mas será que vemos isso? Referindo-se a Igreja Católica Romana, os membros não realizam nada na Igreja, só o Clero pode fazer e operar no meio do povo. Os católicos trouxeram a velha prática dos sacerdotes do Velho Testamento ou, como foi chamado na carta à Igreja de Éfeso, obra dos nicolaítas. E em nossas Igrejas está sendo diferente? A verdade é que em quase todas as Igrejas evangélicas os membros fazem cada dia menos, deixando tudo nas costas do pastor, transformando-o em um nicolaíta. Deus não quer que nós, os pastores ocupem o lugar dos sacerdotes judaicos e nem o lugar dos padres católicos. Como pastores, nós devemos exercer o nosso ministério, que tem como propósito instruir cada cristão a seguir o caminho e buscar por si mesmo o Senhor. Creio que fazendo assim teremos uma Igreja viva e atuante. Meu irmão exerça seu papel de cristão e seja um órgão vivo no corpo de Cristo.

O VENCEDOR

Quem é o vencedor? Será uma pessoa super dotada ou alguém muito diferente? Não, o vencedor é aquele que ouve e coloca em prática a Palavra de Deus.

Leiamos Tg 1.22:“E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.”

Quando ouvimos o que o Espírito Santo fala através da Palavra de Deus, nos tornamos vencedores.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.” (Ap 2.7)




A Mensagem para Éfeso
APOCALIPSE 2:1-7
A primeira das sete cartas ditadas pelo Senhor Jesus ao seu servo João, foi dirigida ao anjo (literalmente mensageiro, provavelmente os supervisores) da igreja em ÉFESO (que significa relaxar, soltar). Era uma igreja que estava REGREDINDO.
A cidade de Éfeso era um centro comercial, político e religioso importante na época em que esta carta foi escrita, semelhante a Alexandria e Antioquia, e continha um templo famoso dedicado a Artemis (Diana para os romanos), considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.
O evangelho havia sido pregado ali pelo apóstolo Paulo durante sua segunda viagem missionária, com Áquila e Priscila (Atos 18:18-19).Na sua terceira viagem missionária, Paulo ficou ali por mais de dois anos (Atos 19), fazendo discípulos, e depois Timóteo também permaneceu ali por algum tempo com a igreja que havia se formado (1 Timóteo 1:3).
Mais tarde, segundo os historiadores, o apóstolo João mudou-se para lá, tornando-se um dos presbíteros da igreja. A igreja tinha, portanto, uma boa formação, alicerçada no ensino dos apóstolos, rodeada pelo vil paganismo greco-romano.
O Senhor Jesus se apresenta como aquele que segura as sete estrelas e anda entre os candeeiros: os supervisores (estrelas ou anjos) de cada uma de suas igrejas derivam sua autoridade e posição dele, e ele os segura em suas mãos para os vigiar, admoestar, animar e aconselhar, como fez nas cartas que estavam sendo ditadas a João, concernentes às sete igrejas (candeeiros) entre as quais estava andando.
A rigor, os supervisores são responsáveis pelo comportamento de seus membros, por isto as cartas são endereçadas ao seu respectivo "anjo", contudo o Espírito fala às igrejas como um todo (Apocalipse 2:7, 11, etc.) pois cada membro é responsável pela sua parte.
O anjo da igreja de Éfeso é elogiado pelo seu labor, perseverança, aversão aos maus, cuidado em por à prova os que falsamente se apresentam como "apóstolos" (verificando que são mentirosos - veja Atos 20:29-30), e pela perseverança no trabalho que faz, suportando provas por causa do nome de Cristo, sem esmorecer.
Ele é, todavia, repreendido por ter perdido seu primeiro amor: não por esquecimento, mas conscientemente, sabendo que seu amor por Cristo se traduz em seu amor pelos irmãos em Cristo. Uns trinta anos antes, esta igreja havia sido elogiada por Paulo pelo seu amor para com todos os santos (Efésios 1:15-16). Seu anjo deve se recordar de como era antes, ver como regrediu e arrepender-se, voltando à prática do amor fraternal; se assim não fizer, Cristo virá e removerá do seu lugar o seu candeeiro. Literalmente, isto significa que a igreja será afastada dos seus supervisores. Pode também ser interpretado que a igreja deixará de operar como testemunha de Cristo, ficando "morta".
Em seu favor, ele tem o ódio pelas obras dos nicolaítas que Cristo também odeia. Quem são eles? Tem havido muita especulação sobre isso, pois fora outra menção, na carta a Pérgamo, nada mais se encontra na Bíblia a seu respeito. Sem dúvida essas duas igrejas, pelo menos, sabiam de quem se tratava e decerto sua identidade não seria ocultada dos demais leitores das cartas pois suas práticas poderiam aparecer em outros lugares.
Faltando outra explicação, ela deve ser encontrada no próprio nome nicolaítas: existe um Nicolau mencionado em Atos 6:5, mas a Bíblia nada revela de mau, procedente dele, e é improvável que a palavra se refira a possíveis seguidores dele, como querem alguns; mas na língua grega, em que as cartas foram originalmente escritas, nicolaítas consiste na junção de duas palavras: nico que se traduz conquistar, destruir ou subverter, e laos que se traduz povo (donde temos a palavra leigos). Na língua em que as cartas foram escritas, portanto, nicolaitanos são aqueles que conquistam, para dominar, o povo: Diótrefes (3 João 9-11) é um exemplo desta atitude.
Segundo os historiadores, já havia naquele tempo uma tentativa para estabelecer uma ordem sagrada de homens que se colocariam em posição de domínio sobre as igrejas, uma espécie de ordem sacerdotal, mais ou menos segundo o modelo judaico. Eles encontraram resistência em Éfeso, mas tiveram sucesso em Pérgamo. Como veremos mais tarde, eventualmente tornaram-se muito poderosos e perseguiram até à morte os que não se submetiam a eles.
De um ponto de vista histórico, "Éfeso" é uma descrição de como o comportamento da maioria das igrejas se desenvolveu no início, até aproximadamente o ano 170 A.D.: foram fundadas em sua maior parte pelos apóstolos, principalmente Paulo e Pedro; com o passar do tempo, os crentes das novas gerações se empenharam na manutenção da pureza da doutrina que seus antecessores haviam recebido, continuaram a ser praticantes de boas obras, e sofriam com paciência e perseverança por causa do nome de Cristo.
Ser identificado como cristão trazia muitas vezes desprezo e maus tratos, mas a perseguição por parte das autoridades romanas não era ainda muito vigorosa, pois até 96 A.D. os cristãos eram ainda legalmente considerados uma seita do judaísmo (Atos 24:14), religião tolerada pela lei romana. As igrejas rejeitavam os falsos apóstolos que se apresentavam com novas doutrinas, bem como, em grande parte, o clericalismo incipiente.
No entanto, o amor original foi se esfriando e a noção da irmandade entre os crentes, como numa família, foi sendo aos poucos olvidada; a conformidade com o mundo e a sua maneira de vida aumentou, os nicolaitanos tiveram sucesso em alguns lugares e uma organização de igrejas chamando-se católicas (universais) começou a se desenvolver.
Em todas as cartas há ainda uma mensagem para quem tem ouvidos: aquele que está atento ao que o Espírito Santo está comunicando através das cartas. Em cada uma está mencionada uma das muitas bênçãos prometidas ao vencedor, isto é, aquele que é nascido de Deus, o crente em Cristo (1 João 5:4-5). Nesta carta a promessa é que ele vai comer da árvore da vida no paraíso de Deus, ou seja, vai habitar a nova Jerusalém, na presença de Deus (Apocalipse 21 e 22).

A CIDADE DE REFUGIO

LIÇÃO 11 – As Cidades de Refúgio


INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos o cap. 20 do livro de Josué.
Deus livrou o seu povo da escravidão do Egito e os conduziu à Canaã. Estabeleceu leis que guiariam o povo em suas diversas relações. Entre essas leis estava a “Lei de Talião” (Lei antiga pela qual se vingava o crime aplicando ao culpado o mesmo mal que ele praticara, conf. Ex 21.23-25), ou seja, se alguém cometesse homicídio, era lhe imputado a pena de morte. Mas se alguém matasse sem intenção, para esse tal, Deus estabeleceu as cidades refúgio. Nessas cidades, o acusado estaria seguro da Lei de Talião, até provar sua inocência, ou até a morte do sumo sacerdote (Nm 35.28). Tinha um sentido figurado na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, e é o que veremos agora.


AS CIDADES DE REFÚGIO

Em Israel haviam seis cidades levíticas destinadas a servir de refúgio àqueles que acidentalmente cometiam homicídio, a fim de escaparem à vingança do sangue derramado (Nm 35.9-14; Ex 21.13).

Moisés designou três ao oriente do Jordão:

a) Bezer, no território de Rúben;
b) Ramote de Galaade, no território de Gade;
c) Golã, em Basã, no território de Manasses (ver Dt 4.41-13).

Depois da conquista de Canaã, Josué e os chefes das tribos, designaram as outras três cidades a oeste do rio:
d) Quedes, no território de Naftali;
e) Siquém, em Efraim;
f) Quiriate-Arba, que é em Hebrom, nas montanhas de Judá (ver Js 20.7).

Nenhuma parte da Palestina está longe demais de uma cidade de refúgio. O homicida refugiava-se na que lhe estava mais perto. Poderia ser alcançado e morto pelo vingador, mas se conseguisse chegar a uma cidade refúgio, era ali acolhido e tinha o direito à defesa. Se no julgamento ficasse provado que o homicídio foi voluntário, era entregue à morte. Se, porém, ficasse provado que matou em legítima defesa, ou por acidente, então a cidade lhe oferecia asilo. Se ele deixasse a cidade, antes do falecimento do sumo pontífice, o risco corria por sua conta. Depois da morte do sumo pontífice, era lhe facultado regressar à sua casa sob a proteção das autoridades (Nm 35; Dt 19; Js 20).

O QUE ERAM AS CIDADES REFÚGIO?

As cidades de refúgio representavam, em linguagem jurídica atual, um "habeas corpus" a favor do criminoso não culpado, ou cujo crime não tivesse sido apurado adequadamente. Em caso de homicídio, pela lei, caberia ao parente mais próximo do falecido a responsabilidade de aplicar a "Lei de Talião" ao homicida, e isto poderia ser feito a qualquer hora e em qualquer lugar, exceto na cidade de refúgio, onde o homicida que não matara intencionalmente poderia aguardar seu julgamento em segurança. (Nm 35.11,12)

O refugiado não poderia sair da cidade. Se o fizesse, correria por sua conta o que acontecesse, pois o vingador o apanharia, e não haveria apelo para ele. A cidade de refúgio protegia tanto aos filhos de Israel quanto ao estrangeiro (Nm 35.15) e representava para o homicida perseguido e fugitivo, segurança e descanso ao mesmo tempo, tornando-se assim, um tipo perfeito de Jesus o Messias, que recebe todos quantos tiverem acesso a Ele (Jo 6.37) uma figura expressiva de Jesus Cristo, nosso Salvador. Somente estando em Jesus Cristo, o refúgio, o pecador estará para sempre livre da sentença mortífera do pecado (João 5.24).
As cidades de refúgio eram bem fortificadas e muradas, com portas nas extremidades, que podiam ser fechadas para impedir a chegada do vingador.

A LOCALIZAÇÃO E OS SIGNIFICADOS DAS CIDADES

As cidades de refúgio estavam situadas da seguinte forma: três cidades a oriente e três a ocidente, do lado do Jordão, estavam geograficamente bem distribuídas. Estas cidades eram parte da herança levítica de 48 cidades (Nm 35.6) e, portanto, administradas pelos levitas. Segundo determinação do Altíssimo, haveria seis cidades de refúgio (Ex 35.13; Dt 19.2,7), três de cada lado do Jordão (Ex 35.14).

Moisés escolheu as três primeiras (Dt 4.41-43; Js 20.8):

BEZER - Fortaleza- Situada no deserto, na terra plana, território de Rubén (Sudeste) Dt 4.43; Js 10.8.
- Significa "fortaleza", e aparece apenas cinco vezes na Bíblia.
- Jesus Cristo é a fortaleza de todos os que nele confiam (SL 43.2; Is 52.1; 2 Tm 1.7)

RAMOTE – Altura ou Exaltado
- Situada em Gileade, território de Gade (Leste) Dt 4:43;
- Significa lugar de refúgio para os humilhados
- Jesus Cristo é a principal autoridade universal, superior a todos os nomes que possam ser mencionados agora e por toda a eternidade (Fl 2.9);

GOLÃ – Gozo ou Exilo
- Situada em Basã, território de Manasses (Nordeste) (Js 20:8);
- Significa lugar de refúgio para os tristes;
- Jesus foi rejeitado pelo mundo (Jo 1.10); por sua própria nação (Jo 1.21); pelo seu próprio país (Mc 6.4); por sua própria cidade (Lc 4.29); por seus próprios familiares (Jo 7.5); pelos escribas, sumo sacerdotes e anciãos (Lc 9.12) e pelos seus próprios seguidores (Mc 14:71).

Josué escolheu as outras três cidades (Js 20.7)

QUEDES (OU CADES) – Lugar Santo
- Situada na região da Galiléia, território de Naftali (Norte) Js 20.7;
- Significa santificação para o impuro, ou refugio para os impuros (Ap 3.7);
- Jesus possuía natureza santa (Jo 8.46). Ele é a santidade requerida aos fiéis ( 1Pe 1.16 )

SIQUÉM – Ombro
- Situada na montanha, território de Efraim (Centro-oeste, cerca de 70 Km ao Norte de Jerusalém) Js 20:7;
- Significa lugar para o cansado, ou refúgio para o cansado (Mt 11.28);

HEBROM – Comunhão
- Situada na montanha, território de Judá (Sul-sudeste) (Js 20:7);
- Significa união, companhia, camaradagem, ou seja, lugar de comunhão;
- Esta cidade de refugio é um tipo de Jesus Cristo como o nosso melhor amigo e companheiro (Lc 7.34; Jo 11.1; Jo 15.13,15; Sl 27.10).

SEGURANÇA NA CIDADE

Todo hebreu sabia que, caso matasse alguém sem intenção de fazê-lo, o único lugar onde poderia estar seguro seria numa cidade de refugio. Entretanto, os levitas, que as administravam, só lhes davam abrigo, uma vez satisfeitas algumas exigências que deveriam ser observadas antes, durante e após o asilo.
Se algum homicida caísse nas mãos do vingador, não era por falta de um refugio, mas porque não tinha se utilizado dele.
Uma vez cruzada a porta, o homicida estava seguro e ninguém o tocava dentro dos limites da cidade. Mas ele deveria ter cuidado para não sair pra fora da porta.
Ele não podia visitar seus amigos e parentes. Anelava a morte do sumo sacerdote, única forma de restituir-se à sua herança e seu povo.
Muitos textos da Bíblia falam do Senhor como nosso refúgio (Sl 46.1; 2Sm 22.3; Sl 9.9; 14.6; 18.2; 59.16; 61.3; 62.8; Jr 17.17; Jl 3.16; Hb 6.18), Ele é apresentado metaforicamente como sendo um "lugar de refugio", "lugar de proteção" e "esconderijo".

A DURAÇÃO DO REFÚGIO

Um assassino não podia comprar a vida por dinheiro, assim também o homicida não podia comprar a sua liberdade. Ambos haviam concebido a morte de um ser humano e só a morte de um homem podia fazer a expiação pela morte. O sumo sacerdote de Israel prefigurava o ministério sacerdotal de Jesus (Hb 4.9). Com a morte do Ungido, o sumo sacerdote, podemos voltar à vida de pureza espiritual e não temer as acusações de satã.
Pela lei, a reclusão na cidade de refugio estava condicionada a morte do sumo sacerdote (Nm35.25), quando e somente então o homicida poderia deixar o asilo sem perder a proteção legal. Se o vingador do sangue o ferisse depois da morte do sumo sacerdote, cometeria homicídio doloso e seria punido com a morte.

CONCLUSÃO

A cidade era o único refúgio possível contra o vingador do sangue, assim como JESUS é o único refúgio possível contra as conseqüências dos nossos pecados (Rm 7.11; 6.23; Jo 3.15). A morte do sumo sacerdote era a condição necessária para a liberdade, que é um tipo claro da liberdade proporcionada pela morte de Jesus (Hb 4:15; 5:9) Então Jesus Cristo é a nossa cidade de refúgio.

Fontes:
J. Davis - http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1117&menu=7&submenu=3
http://www.geocities.com/
http://www.esgm.org/portugues/pena_de_vida.dochttp://br.geocities.com/roberio33/cidades.htm

O HOMEM VE FRACASSADO E DEUS NÃO

MINISTERIOS FRACASSADOS (DOCUMENTARIO)



Todos nós gostamos de responder “envia-me a mim”, com o profeta Isaías, quando Deus lhe pergunta a quem enviaria. Mas será que nossa resposta permaneceria a mesma se soubéssemos para qual ministério Deus enviou esse profeta?

Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo. (Is 6:8-10)

Você leu para qual ministério Deus enviou Isaías? Para um ministério onde ninguém o ouviria, onde ninguém seria salvo. Ou seja, Deus enviou Isaías para um ministério fracassado! Ou… será que não?

O documentário abaixo, produzido por Yago Martins, aborda a questão do sucesso segundo o mundo contra o sucesso segundo Deus – uma mensagem tão importante nos tempos megalomaníacos de hoje.
Como bem aponta Augustus Nicodemus, ”o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1 Co 4:2). Contudo, devido ao engano do coração humano, muitos podem tentar esconder sua passividade sob a capa da fidelidade, alegando “minha igreja não cresce porque somos fiéis as Escrituras”. Isso pode ser verdade, mas também pode ser verdade que essa igreja, sua pregação e seu evangelismo estejam, na verdade, mortos e insípidos. A fidelidade bíblica é algo ativo, como Jesus bem mostra na parábola dos talentos (Mt 25: 14-30). Jamais esqueçamos que, sim, é Deus que dá o crescimento, mas somos nós que, pela graça de Deus, plantamos e regamos (1 Co 3:6).

Se este documentário falou com você de alguma forma, considere deixar uma mensagem aos quatro entrevistados principais ou um testemunho especial no Blog do Yago.

FIXA TÉCNICA
Roteiro, apresentação e edição: Yago Martins
Câmeras: Alan Cristie, Jailson Vieira e Yago Martins
Som direto: Rodrigo Rosa e Yago Martins
Trilha sonora: danosongs.com e Eduardo Mano
Equipamentos: Canon T3 e Nikon D3100 (vídeo), Zoom H1 e Zoom H2n (áudio)
Produção, gravação e edição entre 01/10 e 03/11 de 2012

PARTICIPAÇÕES
Adauto Lourenço, Augustus Nicodemus, Heber Carlos de Campos Jr., Jader Campos, Leonardo Sahium, Mauro Meister, Renato Vargens, Sillas Campos, Stênio Marcius, Tiago Santos e Walter McAlister.

AGRADECIMENTOS
Alan Cristie (sem você, não tinha dado certo. Valeu, bro!), Bruno Lima, Daniel Almeida, Drika Elizabeth Vasconcelos, Eduardo Mano, Eline Bitencourt, Fabiano Medeiros e família, Filipe Leitão, Hanna Caroline, Jailson Vieira, João Victor, Lorena Moreira, Rodrigo Bahiense Rosa, Suani Mattos e Vinícius Musselman Pimentel.

.

Ministerio Fracassado (Documentário)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Necessidade do Novo Nascimento - Martinho Lutero

A Necessidade do Novo Nascimento (sermão pregado por Martinho Lutero)


Sermão pregado pelo Reformador Martinho Lutero, para o Domingo da Santíssima Trindade de 11 de junho de 1536:

"Havia um homem dos fariseus que se chamava Nicodemos, um principal entre os judeus. Este veio a Jesus de noite e lhe disse: “Rabi, sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes se Deus não estiver com ele. Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade te digo se o homem não nascer de novo, não poderá ver o reino de Deus”. Nicodemos lhe disse: “Como pode um homem nascer de novo sendo velho? Pode por acaso entrar uma segunda vez no ventre de sua mãe e nascer?”Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não poderá entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é Espírito. Não te maravilhes do que eu te disse: é necessário nascer de novo. O vento sopra onde quer e se ouve o seu som; mas ninguém sabe de onde vem e nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. Perguntou-lhe Nicodemos: “ Como pode acontecer isso?” Respondeu-lhe Jesus: “Tu és mestre de Israel  e não sabe disso? Em verdade, em verdade te digo que aquilo sabemos falamos, e aquilo que temos visto testificamos, mas vós não recebeis o nosso testemunho. Se eu vos tenho dito coisas terrenas e não acreditastes, como acreditareis se eu vos falar das celestiais? Ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, o Filho do Homem, que está no céu. E assim como Moisés levantou a serpente do deserto, é necessário que o filho do homem seja levantado para que todo aquele que Nele crer, não se perda, mas tenha vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que Nele crer não se perda, mas tenha vida eterna”. João 3:1-16

COMO ALCANÇAR A SALVAÇÃO, a pergunta principal da humanidade

Hoje ainda não lhes foi explicado o Evangelho. Escreve o evangelista São João que certo fariseu de nome Nicodemos veio ao Senhor de noite e teve com ele uma conversa, e Cristo, de sua parte, lhe pregou um sermão para aquele homem piedoso que realmente ele não sabia que fazer com ele: quanto mais o ouvia, menos o entendia.

Sobre essa historia se prega todo ano. Mas como hoje o momento novamente é propício, falaremos mais uma vez sobre ela. Desde que o mundo existe, os sábios que existem nele se perguntam: “De que modo se pode alcançar a justiça e a bem-aventurança?” Essa questão se discute desde quando há homens na terra, e continuará sendo discutida até que o mundo chegue a seu fim. Ainda nos nossos dias atuais pode-se ver com quanto ardor debatemos esse assunto. Todos crêem estar em condições de emitir um juízo, porém, com seu juízo, revelam sua ignorância. Esta mesma questão, como nos informa o Evangelho para o dia de hoje, Cristo a tratou com um homem que, falando nos términos da lei judaica, era uma pessoa corretíssima e muito instruída.

Aquele homem quer discutir sobre aquilo que devemos fazer e como devemos viver para sermos salvos, e espera que Cristo lhe dê uma resposta. “Porque tu” ele diz, “és mestre vindo de Deus, pois os sinais que tu fazes vão além da capacidade de qualquer ser humano. Nós os fariseus ensinamos, no campo do espiritual, a lei de Moisés. Opinas tu que há algo melhor que possa nos recomendar?” Surge assim na discussão entre ambos a pergunta sobre as obras, ou seja, a vida perfeita – a pergunta que inquieta aos homens de todas as gerações.

I. O que tenta alcançar a salvação pelos caminhos das obras, não a alcançará

Já os antigos romanos meditavam com muita seriedade sobre qual era o caminho reto a seguir, acerca de como, por exemplo, se devia lidar corretamente com a casa e a família. Seus interesses se dirigiam diante de toda a exata determinação do que exige a “justiça”. Mas com isso se meteram em um problema que não tem solução, como eles mesmos tiveram que admitir: “excesso de justiça, excesso de injustiça.” Por qual motivo? Porque a “justiça” no sentido estrito da palavra está fora de nosso alcance. Por isso que se tem que buscar o caminho do meio e adaptar-se às circunstâncias. Nesse sentido também se costuma dizer: “acertou como os atiradores quando acertam o alvo”, quer dizer, não graças a sua pontaria, senão graças a um impacto fortuito. Pois um bom atirador e até um eventual ganhador é também aquele que chegou mais próximo do alvo. Assim o reconhecem até os juristas. Tem que se dar por satisfeitos se com seu governo e administração da coisa pública conseguem que ninguém inflija a outro injustiças muito grosseiras, ainda quando seja impossível acertar e aplicar rigidamente a justiça em sua forma pura. Porém quando chega ao poder um desses desorientados, só causa alvoroço, distúrbios e dissensões.

Assim toda autoridade secular tem que se ater ao que é possível. Não obstante, a razão gostaria de elevar a salvação ou a uma ordem política perfeita pela via da injustiça. Porém tal coisa é impossível. Que fazer então? Quase se diria que acontece como com aquele que queria subir uma alta montanha e por não poder fazer, exclamou: “Pois bem, ficarei aqui”. No entanto, Cristo nos diz: “Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos céus” (Mateus 5:20). Ali no sermão do monte o Senhor explica qual o verdadeiro cumprimento da lei, e o que significa acertar o alvo: não se irar, nem mesmo no recôndito do coração; não cobiçar nem mesmo em pensamentos a mulher ou os bens do nosso próximo. Ali se coloca diante dos nossos olhos a justiça mais perfeita. E, apesar de tudo os homens acreditam poder alcançá-la mediante o cumprimento da lei. “Não queremos nem pretendemos”, dizem, “acertar exatamente o alvo”; se o conseguem com certa aproximação, se têm por desculpados. Nós, porém, atentamos para o que nos ensina Cristo: “Ninguém pode ver o reino de Deus ao menos que tenha acertado o alvo”. E no Apocalipse lemos: “Neste tabernáculo não entrará nenhum imundo”. Que devemos fazer pois? Também exclamaremos: “Temos que ficar aqui embaixo, não podemos subir a montanha”?

Tampouco Nicodemos sabe outra coisa que esta: “Eu sou uma pessoa correta, vivo piedosamente conforme a lei e transito pelo caminho que conduz ao céu”. E agora ele quer que esse Mestre lhe expresse sua aprovação ou desaprovação – ainda que não gostaria de pensar nesta última opção, senão espera que o Senhor lhe responda: “Sim, Nicodemos, és perfeito, e ainda: Já és bem-aventurado e os demais entrariam no reino dos céus se fizessem como tu”. Porém, ocorre justamente o contrário: Cristo o bota a correr do reino dos céus: “Por certo, és um homem bom. Porém se não nasces de novo, tua justiça não te servirá de nada.” O “nascer de novo”: esta é a justiça na qual insistimos tanto em nossa pregação. Ou seja: Cristo não tem a intenção de rechaçar a lei, antes quer que ela seja cumprida. “Porém”, diz “a forma como  vós a cumpríeis não tem validade. Cumpríeis a lei só em vossa imaginação, mas não na realidade. Os Dez Mandamentos são perfeitos, e quero que os cumpra. Quem quiser entrar no céu tem que cumpri-los. Porém, com o vosso conceito do ‘direito’ e com a vossa justiça, não os estais cumprindo”. Não temos outra justiça melhor do que a que resultaria do meu cumprimento de tudo o que se manda nas duas tábuas da lei de Moisés. Então seríamos “justos” – porém só justos conforme a justiça dos fariseus, e não conforme a justiça exigida pela lei.

II.  Só a regeneração nos torna participantes da salvação eterna

É-nos dito, pois: “lhe é necessário nascer pela segunda vez”. Para Nicodemos isso é chocante. Ele pensa em outras leis, alem do ponto das leis mosaicas, tais como as que achamos no papado e no judaísmo farisaico; espera que Cristo estabeleça artigos novos, leis novas, todo um código novo. Porém, nada disso: Cristo não diz uma palavra quanto a leis e estatutos novos. “Pois o que possuis em matéria de leis já é mais do que podeis cumprir. Eu, em troca, os prego assim: Vós, vós mesmos precisam chegar ser outras pessoas. Eu não falo de fazer ou não fazer, senão de chegar a ser. Tu tens que chegar a ser outro homem, tens que nascer de novo. Isso será então a justiça que acerta o alvo, a justiça sem mancha nem ruga, a justiça que conseguirá entrar no céu”. Para Nicodemos, ao ouvir Jesus falar dessa maneira, lhe vem certas duvidas. Essas são palavras novas para ele. “Entrar eu pela segunda vez no ventre de minha mãe? Tolice!” Porém a essas tolices Cristo acrescenta outras piores: “não te digo que tenhas de nascer de novo de pai e mãe humanos, senão da água e do Espírito Santo”. Agora, Nicodemos fica totalmente confundido. “Que homem e mulher são esses: água e Espírito?” E como se ainda não fosse suficiente, Cristo lhe pergunta: “Tu és mestre de Israel e não sabes disso?”, o que soa como zombaria manifesta. E sem dúvida, Cristo tem que falar assim porque o assunto é totalmente novo para Nicodemos. Para explicá-lo Cristo recorre a uma ilustração como se quisesse dizer a Nicodemos: “queres que eu desenhe para que tu entendas? Digo-te porém: se não podes captar com a razão, capta-a com a fé. Pois se não acreditaste quando te falei coisas terrenas, como crerás se eu te falasse das coisas espirituais? Nós falamos o que sabemos, e o que sabemos é a verdade e vós não acreditais Pois bem: se alguém não quer crer, deixe-se!”

A nossa pregação, iniciada naquelas condições por Cristo, se apoia exclusivamente na fé. Só com a fé se pode compreender da “regeneração pela água e pelo Espírito”. O Espírito é o homem e a água a mulher. O que isso implica, não o podes medir com a tua razão. Daí o tema que pregamos seja artigo de boas obras ou de fé. E já os papistas aprenderam algo de nós ao dizer que com a fé e a graça começa a vida verdadeiramente cristã. Antes só se falava da missa privada e da invocação dos santos; agora, em troca, dizem que a fé, efetivamente, salva, porém não só a fé, senão a fé em cooperação com nossas obras. E essa cooperação, apóiam, é imprescindível. E a nós criticam duramente afirmando que proibimos as  obras e induzimos os homens à preguiça. Todavia lhes falta bastante para serem tão piedosos e estarem tão próximos da verdade como Nicodemos. Nós nunca proibimos as boas obras; mais ainda: se dizemos algo a respeito das boas obras, nossa própria gente fica logo com raiva, o qual é um claro sinal de que realmente pregamos sobre esse tema.

E apesar disso os papistas seguem blasfemando de nós. Eles ensinam: “as boas obras têm quer vir com a ajuda da fé – vãs palavras que demonstram que esses mestres não têm noção do que é fé, boas obras, nascer do Espírito, nascer de Deus. É por isso que é necessário que estudemos com cuidado o nosso presente texto (João 3:5) e outros iguais. Aqui se fala de “nascer de novo”, não de “fazer algo novo”. Primeiro deves plantar uma arvore, e logo terás também os frutos. Segundo seja boa ou mal a arvore, serão também bons ou maus os frutos. O mesmo ocorre aqui. Nós chamamos um novo nascimento, quer dizer, uma nova maneira de ser, uma nova pessoa, não somente um novo vestido ou novas obras. Quando eu era monge, minha vestimenta era distinta e também minhas obras eram; as sete horas para as orações, a missa, o crisma, o celibato – todas essas eram outras obras, muito dessemelhantes de minhas obras anteriores. Porém a simples mudança das obras não é o que vale; que mude a pessoa, que mudem os pensamentos e o ânimo: esse é o novo nascimento. Portanto não se pode sobrepor as obras à fé. Em que uma criança contribui para que seja concebida e venha à luz? Isso é obra dos pais; a criança não faz nada para que suas perninhas e todos os seus membros cresçam; não é  parte ativa nesse processo de crescimento, senão parte meramente passiva. Qual foi, nesse sentido, a nossa contribuição? Onde estão as obras cooperantes? Queria saber então de onde vem essa insistência de que se deve agregar também obras , e logo obras próprias nossas!

É verdade: a mãe leva a criatura em suas entranhas e lhe dá o calor materno; no entanto, não é obra dela que essa criatura se origine. De igual maneira quem pregamos e batizamos somos nós, no entanto, a palavra e o batismo não são nossos; somente pomos à disposição nossa boca e nossas mãos. Na realidade a palavra e o batismo são de Deus, no entanto somos chamados colaboradores de Deus (1 Coríntios 3:9). É, por certo, uma colaboração bastante modesta a nossa. Não que contribuamos com obra ou a palavra; o único com que contribuo ao batizar e pregar é com a voz, os dedos, a boca. Assim, na geração de uma criança, o pai e a mãe só contribuem com a carne e o sangue como fatores seus; a criatura concebida não contribui absolutamente em nada, senão que “se deixa criar” por Deus todos os seus membros, e a mãe a leva em seu seio. Há alguma razão então para que eu retire a honra de Deus e diga que eu mesmo me gerei e que minha própria atuação contribuiu para que eu nascesse? Isso não significaria um agravo a Deus? Por acaso não somos chamados seus filhos, obras de suas mãos? Se é verdade que as obras colaboram na regeneração, vejo-me obrigado também a achar que eu colaborei com Deus – e isso é uma blasfêmia contra Ele. Mas se é verdade que eu sou nascido de novo, como diz Cristo, não tenho que colaborar com nada, senão que tenho que permanecer quieto e passivo para aquele que é meu Pai e Criador me faça nascer de novo como filho seu. Nesse sentido o apostolo Paulo declara que “nós somos uma nova criação, criados em Cristo para boas obras”. Como se vê, Paulo não se esquece das boas obras, mas as menciona não por que tenham contribuído em algo, não por que sejam elas que produzem a nova criação, mas “para que andássemos nelas”. Se é certo que minhas próprias obras contribuem para que eu seja uma nova criação, bem posso me gloriar de ser meu próprio Deus; porque o criar é obra exclusiva de Deus. Se eu colaboro, então Deus não é meu único Deus, senão que eu também o sou. Por outro lado, se Ele é o único, não o posso ser eu também, como se afirma muito claramente no Salmo: “Ele nos fez e não nós a nós mesmos; somos seu povo e ovelhas de seu pasto”. E não obstante, certa gente incorre em tremenda tolice de sustentar que a fé cria homens novos, mas com a ajuda das obras. Mas precisa de toda lógica dizer que eu me crio a mim mesmo e sou Deus junto com Deus, de modo que Ele me tem a seu lado como um Deus adjunto. Assim como eu não me formei a mim mesmo no corpo de minha mãe, senão que foi Deus quem me formou, valendo-se dos meus membros e do calor de minha mãe, assim tampouco na regeneração somos convencidos mediante nossas próprias forças e obras, senão unicamente pelas mãos e o Espírito de Deus. Em consequência, é ilícito acrescentar obras à fé; do contrário, não é Deus só o que me cria, senão que eu sou simultaneamente com ele meu próprio criador. Ao fogo do inferno com um criador que se cria a si mesmo! A Escritura me chama de uma nova criação de Deus e, não obstante, eu haveria de atribuir a nova criação a mim mesmo? De esse modo eu seria criação e criador, obra e obrador em uma mesma pessoa. A toda luz, esses são pensamentos diabólicos e ensinos de homens cegos. Devemos observar estritamente ao que aqui nos ensina o evangelista São João. Também Paulo nos chama “novas criaturas”. Da mesma maneira, pois, como não contribuo para meu nascimento corporal e pela minha concepção, senão que sou parte meramente passiva e ‘me faço’ gerar e criar, da mesma maneira tampouco as obras contribuem em nada para que o homem seja regenerado. Se não for assim, Deus já não será apenas Deus, senão que nós seremos Deus junto com Ele e seremos nossos próprios progenitores. Mas quando a criatura já está gerada, e quando a criancinha já está formada no seio materno com todos seus membros, a mãe diz: “Sinto que o nenezinho faz as obras que em seu estado pode fazer”. Porem, só o já criado dá esses sinais de sua existência, e só quando foi dado à luz move seus membros, e fica com vida, aprende a caminhar e a cantar. Mas se não tivesse sido criada previamente, agora não se moveria.

III. O regenerado se manifesta como crente mediante a prática de boas obras.

Nossa pregação quanto à nova criação é, pois, uma vez que fomos regenerados, devemos andar em boas obras. Nesse sentido fazemos algo: pregamos; aqueles, todavia, que são convertidos não fazem nada para chegar a sê-lo, já que somos criação e obra de Deus, “criados para que andássemos em boas obras” (Efésios 2:10). Essas palavras nos falam com inteira claridade. A semelhança com uma criatura humana é evidente. A criatura deve se separar do corpo materno; antes de estar completamente formada, não contribui em nada para esse fato. Por que Deus a beneficiou de membros? Para se mover; uma vez nascida deve caminhar, ficar de pé, comer, beber, trabalhar, mandar, pois para isso nasceu. Se não fizesse nada, seria um tronco ou uma pedra. Porém deve fazer algo, para isso foi criada. A isso se refere Cristo quando disse ao fariseu Nicodemos: “Todos vós quereis ser vossos próprios criadores. Possuíeis a lei de Moisés e esforçai-vos para cumpri-la. Porem não obtereis êxito, uma vez que ainda não nascestes de novo; não possuíeis o Espírito Santo. Por conseguinte todas as vossas obras são obras do velho homem. Podeis, por exemplo, construir uma casa ou fabricar um sapato, porém tais obras não têm nada haver com o céu. Não são obras que conferem justiça a quem as faz. Também os gentios são capazes de fazê-las. Ademais trazeis oferendas, circuncidais a vossos filhos, usais as vestiduras sagradas – também isso está ao alcance de qualquer pagão.  Por isso digo que são obras do homem velho, nascido uma só vez, a saber, do seio de sua mãe. Mas se quereis fazer obras que sejam de valor diante de Deus e que tragam proveito ao próximo, precisais nascer de novo. Vós por sua vez acreditam que o fazer obras que exteriormente parecem ser boas já está assegurada a vossa entrada no céu, ainda mesmo o coração não se achando no estado devido. Porem não façais as coisas ao contrário, não comeceis pelas obras!”

Também os papistas são da opinião de que se pode merecer o céu com suas obras que acompanham a graça. É um engano. As boas obras não podem ajudar de nenhuma forma, nem como obras que precedem a graça, nem como obras que lhe correm paralelas, nem tampouco como obras que seguem a graça, senão que tudo tem que proceder do Espírito Santo e da água. “No lugar de pai e mãe vos darei água e o Espírito Santo”, reza a pregação de Cristo. Onde isso é assim, posso dizer: “minhas próprias obras não me criaram, nem me geraram como nova criação, nem tampouco poderão fazê-lo, posto que fui criado e gerado da água e do Espírito”. Também resulta agora fácil provar e julgar os espíritos fanáticos. Pois o que nasceu, o que já foi feito e criado, não tem necessidade de ser feito e criado. Como podem dizer então que as obras subsequentes à graça me geram e me criam? Fazer boas obras é necessário; correto – porém não para chegar a ser por meio delas uma nova criação. Portanto há de se diferenciar entre fé e obras; assim, aqui o Senhor nos ensina. As obras feitas antes da fé são condenadas como pecado. Em contrapartida, as obras feitas por quem já tem fé são obras preciosas e boas. Todavia, tampouco essas servem para nos converter em homens justos, senão para louvar e glorificar a nosso Pai que está nos céus (Mateus 5:16) e para causar alegria aos anjos. Pois quem por meio de boas obras e de uma pregação frutífera honra ao Pai, receberá também dele a recompensa correspondente. Se não andas em boas obras, tampouco nasceu ainda para elas (Efésios 2:10).

Onde se ensina e se vive dessa maneira, a verdade aqui ensinada por Cristo permanece vigente em toda a pureza. Cristo diz que temos que nascer, Paulo reforça que temos que ser criados por Deus. Falando em termos de comparação com uma criatura: a criatura não se gera nem se faz nascer a si mesma, senão que depois de ser criada pode fazer obras. Analogamente, a árvore frutífera depois de plantada dá frutos. Não se diz: “Se não tiver peras na árvore, essa não é uma árvore”, senão o inverso. Por isso cresce a pereira, para que dê peras, para glória e louvor de Deus o Criador, e para que nós as comamos. Assim, a obra de Deus é a que precede, e a nossa obra é a que segue. Igualmente: se não existisse ferreiro, não existiria machado, pois para que machado corte, previamente precisa ser fabricado. Só um perfeito idiota poderia dizer: “Faz-me um machado que colabore na sua fabricação, de maneira que mediante seu despedaçar e cortar se transforme em machado”. Primeiro se fabrica o machado, e só então se pode empregá-lo nos trabalhos aos quais a ele se destinam.

Sobre esse tema se discute de modo por demais obstinado desde os primórdios da humanidade. E esse é o nosso ensino no qual insistimos com toda energia, afim de que conserve o lugar correspondente na igreja e para evitar que penetrem nela pessoas que atribuem um efeito também às obras precedentes ou concomitantes. Primeiro deve estar a criação, o nascimento: logo pode seguir a obra. Nicodemos não pode compreender isso porque ele vive na crença equivocada de que obterá êxito para entrar no céu graças as suas obras precedentes. Cristo se opõe a ele com um sonoro NÃO: “o que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Todos aqueles que ensinam algo que contrarie esse artigo são falsos mestres. Nós, todavia, cremos e damos graças a Deus pelo fato de que ao fim foi trago a luz e posto ao conhecimento de todos qual é o verdadeiro caminho da vida: “Faz com que eu seja regenerado sem a colaboração de nenhuma obra minha, mas apenas pela palavra e pela fé”. Se tal é o caso, sou filho de Deus, tenho livre acesso a casa de meu Pai, e tudo quanto faço é bom e aceito diante de seus olhos. Se meu pé escorrega, Ele me castiga.  Se eu sou uma arvore boa, levo frutos bons. Se a árvore é tomada por vermes nocivos, o Pai os extermina. Se eu sou um bom machado, sirvo para cortar; se no machado se produz uma falha, também esse mal poderá ser sanado pelo Pai. Por isso vós os fariseus estais muito distantes do alvo com vossas obras precedentes; porque dessas resulta não mais que uma justiça válida diante dos olhos do mundo e para ela vale o que acabo de dizer quanto ao atirador. A justiça proveniente da fé acerta o alvo: aponta ao centro mesmo e penetra até a vida eterna – não por nossos próprios meios, senão em união com aquele que é o Mediador, do qual se fala na parte final do evangelho (João 3:14 e similares). Fomos criados por Ele e somos recriados por Ele; por meio Dele somos uma criação perfeita, apesar de ainda não estarmos livres de faltas e debilidades.

Isso se chama falar de forma cristã sobre a regeneração, da qual os papistas, os turcos e os judeus não têm o menor conhecimento. Estou seguro, portanto, que no Concílio[1] dos papistas rejeitarão esse artigo, já que a norma deles é julgar a obra de Deus segundo eles mesmos a entendem. Cristo, porém, sustenta invariavelmente: “O que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. É preciso, pois, deixar de lado os pensamentos próprios, a sabedoria própria, as opiniões próprias e ouvir somente a palavra por meio da qual é criado em ti um coração novo sem a tua contribuição, como o novo ser no corpo da mãe. Este texto soluciona a questão que se vem debatendo no mundo inteiro sobre como é possível uma vida bem-aventurada e feliz. Não há outro meio que a justiça efetuada pela regeneração não atinja o alvo.